<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6680703874597379732</id><updated>2011-06-18T07:05:54.944-07:00</updated><title type='text'>Botequim de letras</title><subtitle type='html'>Resenhas literárias, ensaios antropológicos e jornalismo gonzo</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://botequimdeletras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6680703874597379732/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://botequimdeletras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>ipaco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00937997687449108388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/108/6459/200/eumesmo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6680703874597379732.post-868875453132106798</id><published>2007-12-12T05:45:00.000-08:00</published><updated>2007-12-12T06:03:56.738-08:00</updated><title type='text'>Guimarães Rosa: Casos e causos</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/cavalhada_joliveira.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio literário circula uma anedota acerca do primeiro encontro entre &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;João Guimarães Rosa&lt;/span&gt; e o poeta &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Manoel de Barros&lt;/span&gt;, em junho de 1953. Encantado com a forma original como o poeta se expressava, Rosa anotava o que ele dizia sobre os pássaros, a paisagem e a vida pantaneira em sua caderneta de campo. A certa altura, incomodado com o aquele anotar constante, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Barros&lt;/span&gt; passou a dar respostas monossilábicas à curiosidade do escritor mineiro. Depois que Rosa foi embora, o poeta virou-se para um interlocutor e disse:&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;— Quando senti que ele me especulava, me empedrei.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Se isto ocorreu de fato, não se sabe. Provavelmente não, uma vez que, longe da desconfiança, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Manoel de Barros&lt;/span&gt; é um fã incondicional do autor de &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/span&gt;, a quem acompanhou até Corumbá numa viagem de vapor, “por impulso de admiração”. Ao escrever certa vez sobre essa viagem, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Barros&lt;/span&gt; afirmou: “Nossa conversa era desse feitio. Ele inventava coisas de Cordisburgo. Eu inventava coisas do Pantanal.” E acrescentou: “Eu fabricava coragem para puxar uma prosa com aquele João.”&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa&lt;/span&gt;, além do cuidado especial com o texto e a constante leitura, o manancial inspirador de sua literatura brotava de encontros e viagens como essa. No encontro com o outro, o confronto com sua personalidade singular gerava “causos” e anedotas. O interesse de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa&lt;/span&gt; por aquele universo rural chegava a espantar os que o cercavam. Certa feita, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Manuelzão&lt;/span&gt; — vaqueiro amigo e personagem de suas histórias — disse, assombrado, que o escritor afirmava querer entrar dentro de um bovino para captar a essência daquele ruminar.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;De acordo com aqueles que conviveram com ele, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa&lt;/span&gt; era movido por duas forças: a palavra e uma inquietação metafísica, mais mística do que religiosa. Médico de formação, diplomata fluente em 13 idiomas e extremamente erudito, ele era, apesar de tudo, bastante simples no convívio. Tinha suas manias e cismas e era dado a conversas com qualquer pessoa, em especial com aquelas mais humildes, cujas formas de expressão e universo cognitivo lhes instigavam a imaginação, inspirando-o para suas “estórias”.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;— Em 1952, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa &lt;/span&gt;acompanhou um grupo de vaqueiros que levava uma boiada entre duas fazendas, e anotava absolutamente tudo em suas famosas cadernetas, dos nomes de pássaros às falas dos vaqueiros. Ele fazia perguntas de cunho filosófico àqueles homens simples e anotava cuidadosamente suas respostas — conta &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Izabel Aleixo&lt;/span&gt;, editora da &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Nova Fronteira&lt;/span&gt; e especialista na obra de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Guimarães Rosa&lt;/span&gt;. — Ele tinha verdadeiro fascínio por aquele mundo, de onde tirou o material para a sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/nature02.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;José Luís Guimarães Rosa&lt;/span&gt;, irmão do escritor, lembra, emocionado, sua devoção às palavras:&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;— A expressão mágica para meu irmão era “ave palavra”. Sempre achei que acima do roteiro de suas histórias estava a palavra. A palavra prevalecia. Há contos em que ele vem descrevendo e, de repente, como que fugindo à narrativa, pára numa vírgula e, entre vírgulas, põe palavras avulsas para prestigiá-las.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;José Luís&lt;/span&gt; lembra ainda que outro aspecto crucial da vida de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Joãozito&lt;/span&gt;, como os familiares o chamavam, era sua angústia em relação ao tempo, sobretudo depois que o escritor deparou-se com a previsão que determinava que ele morreria logo após uma grande festa em sua homenagem. Seguro da precisão daquela profecia, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa&lt;/span&gt; adiou a cerimônia de posse na &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Academia Brasileira de Letras&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;ABL&lt;/span&gt;) por vários anos.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;— A profecia foi um calvário para ele — diz &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;José Luís&lt;/span&gt;. — Não sei quem fez, talvez uma cigana lendo a sua mão. Isso influiu bastante, porque ele era muito crente. Acreditava no imponderável, mas coisas divinas, nas profecias.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Após esse episódio, lembra o irmão, o tempo para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa&lt;/span&gt; encurtou. Ele pressentia que o fim estava próximo e se angustiava com a possibilidade de não terminar tudo o que estava escrevendo. Por isso, trabalhava horas a fio todos os dias, religiosamente. Por fim, a profecia se cumpriu: três dias após a posse na &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;ABL&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa&lt;/span&gt; morreu.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;— A última vez que fui visitá-lo no &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Itamaraty&lt;/span&gt;, ao entrar em seu gabinete o vi no meio da sala, com um terço na mão, rezando — afirma o irmão. &lt;span style=""&gt;— Percebi sua angústia e compreendi que deveria alegrá-lo. Então me dirigi a ele e o abracei e conversei coisas amenas para reintegrá-lo à sua habitual alegria. &lt;/span&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mas nem todas as profecias que atravessaram a vida de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa &lt;/span&gt;tinham um teor trágico. Quando estava no início do ofício de escritor, enviou, com pseudônimo, os contos de &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Sagarana&lt;/span&gt; a um concurso no qual ficou em segundo lugar. No entanto, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Graciliano Ramos&lt;/span&gt;, que participava do júri, ficou impressionado com as histórias e previu que aquele escritor estremeceria a literatura brasileira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Agnes Guimarães Rosa&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;do Amaral&lt;/span&gt;, uma de suas filhas, conta sobre a fase inicial do namoro de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa &lt;/span&gt;e sua mãe, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lígia Cabral Pena&lt;/span&gt;, a dona &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lili&lt;/span&gt;, primeira mulher do escritor:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;— Ele fazia medicina e conheceu minha mãe, que era estudante. Todos os dias ia à Escola Normal na hora da saída e, ao se encontrar com ela, dizia: “Que coincidência!”. E a cena se repetiu tanto, a ponto de as colegas de minha mãe afirmarem ao avistá-lo se aproximando: “A coincidência já chegou.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Agnes&lt;/span&gt; diz que a emoção que o personagem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Miguilim&lt;/span&gt; sentiu ao usar óculos pela primeira vez aconteceu de fato com seu pai, cujos primeiros óculos foram comprados de um mascate, quando ele ela menino. Talvez seja o milagre da nitidez daquela experiência que tenha levado &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa&lt;/span&gt; a expressar o desejo de ser enterrado com seus óculos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;(texto publicado originalmente jornal &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;O Globo&lt;/span&gt;, caderno &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Prosa &amp;amp; Verso&lt;/span&gt;, edição comemorativa de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Guimarães Rosa&lt;/span&gt;, em 11 de março de 2006).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Todos os direitos reservados — Copyright&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6680703874597379732-868875453132106798?l=botequimdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://botequimdeletras.blogspot.com/feeds/868875453132106798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6680703874597379732&amp;postID=868875453132106798&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6680703874597379732/posts/default/868875453132106798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6680703874597379732/posts/default/868875453132106798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://botequimdeletras.blogspot.com/2007/12/guimares-rosa-casos-e-causos.html' title='Guimarães Rosa: Casos e causos'/><author><name>ipaco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00937997687449108388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/108/6459/200/eumesmo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6680703874597379732.post-698892658760245011</id><published>2007-12-08T05:09:00.000-08:00</published><updated>2007-12-11T03:52:55.375-08:00</updated><title type='text'>O amor no balcão</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/colombo08a.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade, como dizia &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ezra Park&lt;/span&gt;, não é apenas um aglomerado de prédios e ruas, mas sobretudo os sonhos das pessoas que nela habitam. Esse imaginário citadino é algo que vai se transformando constantemente, sob influência dos mais diversos fatores. Para alguns, as mudanças aparecem como uma descaracterização irremediável de algum modelo nostálgico e ideal, que toma forma mais no imaginário do que na realidade concreta, tangido por lembranças, desejos e fantasias, que configuram, ou transfiguram, noções de uma urbanidade ideal, corroída pela voracidade do tempo, que a tudo transforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/adepb.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Assim, velhos sobrados dão lugar a condomínios auto-suficientes e distantes da vida nas calçadas; velhos pés-sujos se transformam em modernos botecos, com suas chopeiras importadas de São Paulo; e casas de pasto portuguesas, do início do século passado, simplesmente desaparecem, como a &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Lisboeta&lt;/span&gt;, o &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Penafiel&lt;/span&gt;, o &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Bico Doce&lt;/span&gt; e tantos outras. É inevitável uma certa melancolia ao presenciar esses fenômenos urbanos incontroláveis e incontornáveis, pois essas transformações forçosamente nos lembram de nossa própria finitude, configurando aí um elemento psíquico-emocional poderoso, pois sabemos que vamos desaparecer tanto quanto esses velhos sobrados e suas maneiras de ser e estar na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/juliana05a.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Mas há também aqueles cuja nostalgia traz elementos patológicos e fetichistas. Idealizam um mundo que não viveram, mas do qual sentem uma saudade terminal e se engajam em exercícios retóricos preservacionistas, muitas culminando em lágrimas emocionadas diante do que acreditam ser o último remanescente de um mundo belo, porém inexistente. Eu mesmo, meus amigos, devo confessar que me encaixo nesse perfil sentimental, misturando memória e desejo, como dizia &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;T. S. Eliot&lt;/span&gt;, em minha noção de passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/soraya.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;O problema desses mergulhos um tanto sentimentalóides é que muitas vezes deixam a visão opaca e jogam sombra sobre as coisas do presente. Ao nos deslocarmos para o passado, esquecemos, por assim dizer, o presente e as coisas efervescentes e interessantes que ocorrem no aqui-agora. “Essa ocorrência silenciosa”, como dizia meu querido &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Manduka&lt;/span&gt;, ao me descrever o sentido do adágio popular: “pega pra capar!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/but15a.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;E uma das coisas que permanecem nas grandes cidades, como um emblema de uma identidade urbana e cosmopolita, são as infinitas formas que se configuram os impulsos boêmios. E, no Rio de Janeiro, o botequim é o cenário privilegiado dessas “ocorrências silenciosas”... Bem, na verdade, quase nunca silenciosas, mas vale a licença poética para encaixar o adágio Mandukiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/but09a.jpg" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é triste ver, por exemplo, o velho pé-sujo &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Belmonte&lt;/span&gt; se transformar num arremedo do que foi no passado. Ver o suculento sanduíche de carne assada dar lugar a salgadinhos uniformes, produzidos em escala industrial fordista. Mas esses são meus olhos conservadores e, afinal, quem sou eu para dizer à multidão de jovens boêmios que se amontoam em seus balcões modernizados que eles estão errados, são alienados e inconseqüentes em suas opções de lazer etílico? Seria muita presunção, não é mesmo? Mas, por outro lado, posso lamentar, aqui no meu cantinho, a perda de certos modos e costumes de viver a boemia.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/bibi.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Mas também festejar certas mudanças, como ventos de boa renovação. Uma delas é a presença cada vez mais constante e efervescente das mulheres nos botequins da cidade. Espaço tipicamente masculino, reduto em que lamuriávamos, entre um copo e outro, nossos amores fracassados, contando com a cumplicidade de nossos pares, capazes de entender a dor do desencontro com o sexo oposto, pois também tinham, em algum momento passado pelo calvário amoroso: “Mulher é o cão!”, dizíamos amargurados.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pyndorama.blogger.com.br/but01.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Agora, nessas ondas de mudanças, eis que são elas que invadem nosso pedaço, trazendo um  hibridismo interessante ao outrora reduto exclusivo masculino. E com elas, o amor deixa as retóricas amarguradas das conversas de botequim, para se transformar em encontros potencialmente reais. Ei-las ao nosso lado, no balcão, brindando à vida! Pois então que se cheguem e sejam bem-vindas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Todos os direitos reservados — Copyright&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6680703874597379732-698892658760245011?l=botequimdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://botequimdeletras.blogspot.com/feeds/698892658760245011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6680703874597379732&amp;postID=698892658760245011&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6680703874597379732/posts/default/698892658760245011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6680703874597379732/posts/default/698892658760245011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://botequimdeletras.blogspot.com/2007/12/o-amor-no-balco.html' title='O amor no balcão'/><author><name>ipaco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00937997687449108388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/108/6459/200/eumesmo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
